Morre na Avenida Paulista a Cicloativista Márcia Regina


O corpo da ciclista Márcia Regina de Andrade Prado, de 40 anos, que morreu nesta quarta-feira (14) após ser atropelada na Avenida Paulista, foi doado para a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para estudo. A assessoria de imprensa da universidade confirmou na tarde desta quinta-feira (15) que o corpo irá para o laboratório de anatomia. 

O Instituto Médico-Legal (IML) disse que a autorização para a doação do corpo foi assinada por uma pessoa da família de Márcia. A ciclista foi atropelada por volta das 11h50 de quarta-feira quando pedalava no sentido Consolação da Avenida Paulista. De acordo com o boletim de ocorrência registrado no 78º Distrito Policial, nos Jardins, um ônibus atingiu Márcia, que morreu no local. 

O motorista disse à polícia que, quando olhou pelo retrovisor, viu que o pneu traseiro do veículo tinha passado sobre a mulher. Márcia fazia parte da Bicicletada paulistana, movimento em que ciclistas se juntam para reivindicar seu espaço nas ruas. Os integrantes da Bicicletada irão fazer homenagens a Márcia na Praça do Ciclista, perto da esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação, nesta quinta-feira (15) e na sexta-feira (16). 

O analista de sistemas Willian Cruz, de 35 anos, é participante do movimento e conhecia Márcia. “Ela andava de bicicleta sempre e, como era massagista, ia de bicicleta atender os clientes”, conta. Ele lembra que viajou com a ciclista para Ubatuba, a 226 km de São Paulo, em novembro. A viagem de bicicleta demorou dois dias. 

Para o ciclista, a morte de um participante do grupo traz um sentimento de revolta. “Dá uma tristeza enorme, um sentimento de revolta, porque poderia ser qualquer um de nós passando ali”, afirma. Os ciclistas do movimento lutam para aumentar os espaços da cidade reservados para quem opta por circular de bicicleta.

 

Márcia Regina de Andrade Prado

  • 17/11/1968 – 14/01/2009

Márcia Regina de Andrade Prado faleceu nessa quarta-feira, dia 14 de janeiro, ao ser atropelada por um ônibus enquanto pedalava na Av. Paulista, em São Paulo.

Participante da Bicicletada paulistana, ela assinou o Manifesto dos Invisíveis, em que ciclistas clamam por respeito à vida.

Deixou muitos amigos e saudades.

Manifestações de luto

/ Homenagem à ciclista Márcia Prado:

QUINTA (15/01), às 18h

/ Bicicletada da Memória: Márcia Prado

SEXTA (16/01), concentração às 18h, pedalada às 20h

Local: Praça d@ Ciclista – Av. Paulista x Rua da Consolação

Homenagens à ciclista

Luto pela morte de ciclista – 1 (external link)
Luto pela morte de ciclista – 2 (external link)
O motor venceu (external link)
Sempre Márcia (external link)
Sua pressa vale uma vida? (external link)
Vivemos a guerra, aqui na cidade (external link)
Fique em paz, Márcia (external link)
Márcia será sempre a nossa primeira dama (external link) 
Guerreira do asfalto
 (external link)
Vida de ciclista (external link)
Cicloativistas paraenses realizam Bicicletada Márcia Prado, contra a violência no trânsito (external link)
Ciclista Márcia, presente! (external link)
Márcia Regina de Andrade Prado (external link)
triste realidade (external link)
Não esqueceremos (external link)
Chega de sociedade do automóvel (external link)
Nota de luto (external link)
Luto (external link)
Um mundo sem carros (external link)
Ônibus mata ciclista (external link)
A gente sente muito (external link)
Protesto dos ciclistas na Paulista (external link)
Adeus amiga! (external link)
Morrer na Contramão (external link)
Humanizar pra que? (external link)
O que eu sinto com isso. (external link)

Manifesto dos Invisíveis

Motorista, o que você faria se dissessem que você só pode dirigir em algumas vias especiais, porque seu carro não possui airbags? E que, onde elas não existissem, você não poderia transitar?

Para nós, cidadãos que utilizam a bicicleta como meio de transporte, é esse o sentimento ao ouvir que “só será seguro pedalar em São Paulo quando houver ciclovias”, ou que “a bicicleta atrapalha o trânsito”. Precisamos pedalar agora. E já pedalamos! Nós e mais 300 mil pessoas, diariamente. Será que deveríamos esperar até 2020, ano em que Eduardo Jorge (secretário do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo) estima que teremos 1.000 quilômetros de ciclovias? Se a cidade tem mais de 17 mil quilômetros de vias, pelo menos 94% delas continuarão sem ciclovia. Como fazer quando precisarmos passar por alguma dessas vias? Carregar a bicicleta nas costas até a próxima ciclovia? Empurrá-la pela calçada?

Ciclovia é só uma das possibilidades de infra-estrutura existentes para o uso da bicicleta. Nosso sistema viário, assim como a cidade, foi pensado para os carros particulares e, quando não ignora, coloca em segundo plano os ônibus, pedestres e ciclistas. Não precisamos de ciclovias para pedalar, assim como carros e caminhões não precisam ser separados. O ciclista tem o direito legal de pedalar por praticamente todas as vias, e ainda tem a preferência garantida pelo Código de Trânsito Brasileiro sobre todos os veículos motorizados. A evolução do ciclismo como transporte é marca de cidadania na Europa e de funcionalidade na China. Já temos, mesmo na América do Sul, grandes exemplos de soluções criativas: Bogotá e Curitiba.

Não clamamos por ciclovias, clamamos por respeito. Às leis de trânsito colocam em primeiro plano o respeito à vida. As ruas são públicas e devem ser compartilhadas entre todos os veículos, como manda a lei e reza o bom senso. Porém, muitas pessoas não se arriscam a pedalar por medo da atitude violenta de alguns motoristas. Estes motoristas felizmente são minoria, mas uma minoria que assusta e agride.

A recente iniciativa do Metrô de emprestar bicicletas e oferecer bicicletários é importante. Atende a uma carência que é relegada pelo poder público: a necessidade de espaço seguro para estacionar as bikes. Em vez de ciclovias, a instalação de bicicletários deveria vir acompanhada de uma campanha de educação no trânsito e um trabalho de sinalização de vias, para informar aos motoristas que ciclistas podem e devem circular nas ruas da nossa cidade. Nos cursos de habilitação não há sequer um parágrafo sobre proteger o ciclista, sobre o veículo maior sempre zelar pelo menor. Eventualmente cita-se a legislação a ser decorada, sem explicá-la adequadamente. E a sinalização, quando existe, proíbe a bicicleta; nunca comunica os motoristas sobre o compartilhamento da via, regulamenta seu uso ou indica caminhos alternativos para o ciclista. A ausência de sinalização deseduca os motoristas porque não legitima a presença da bicicleta nas vias públicas.

A insistência em afirmar que as ruas serão seguras para as bicicletas somente quando houver milhares de quilômetros de ciclovias parece a desculpa usada por muitos motoristas para não deixar o carro em casa. “Só mudarei meus hábitos quando tiver metrô na porta de casa”, enquanto continuam a congestionar e poluir o espaço público, esperando que outros resolvam seus problemas, em vez de tomar a iniciativa para construir uma solução.

Não podemos e não vamos esperar. Precisamos usar nossas bicicletas já, dentro da lei e com segurança. Vamos desde já contribuir para melhorar a qualidade de vida da nossa cidade. Vamos liberar espaços no trânsito e não poluir o ar. Vamos fazer bem para a saúde (de todos) e compartilhar, com os que ainda não experimentaram, o prazer de pedalar.

Preferimos crer que podemos fazer nossa cidade mais humana, do que acreditar que a solução dos nossos problemas é alimentar a segregação com ciclovias. Existem alternativas mais rápidas e soluções que serão benéficas a todos, se pudermos nos unir para construirmos juntos uma cidade mais humana.

A rua é de todos. A cidade também.

Nós, ciclistas, que também somos o trânsito:

Alberto Pellegrini
Alexandre Afonso
Alexandre Catão
Alexandre Loschiavo (Sampabiketour)
Alex Gomes ( U-Biker )
Ana Paula Cross Neumann (Aninha)
André Pasqualini (CicloBR)
Antonio Lacerda Miotto (Pedalante)
Aylons Hazzud
Ayrton Sena Santos do Nascimento
Bruno Canesi Morino
Bruno Gola
Boney
Caio Yamazaki Saravalle (Saravá)
Carolina Spillari
Célia Choairy de Moraes
Chantal Bispo (Eu vou voando)
Chico Macena
Daniel Ingo Haase (FAHRRAD)
Daniel Albuquerque
Danilo Martinho May
Eduardo Marques Grigoletto (CicloAtivando)
Fabrício Zuccherato (pedal-driven)
Flávio “Xavero” Coelho
Felipe Aragonez (Falanstérios)
Felipe Martins Pereira Ribeiro
Fernando Guimarães Norte
Gustavo Fonseca Meyer
Hélio Wicher Neto
João Guilherme Lacerda
José Alberto F. Monteiro
João Paulo Pedrosa (Malfadado – PT)
José Paulo Guedes (EcoUrbana)
Juliana Mateus
Laércio Luiz Muniz
Leandro Cascino Repolho
Leonardo Cuevas (XpK)
Leandro Valverdes
Lucien Constantino
Luis Sorrilha (BIGSP)
Luiz Humberto Sanches Farias
Marcelo Império Grillo
Márcia Regina de Andrade Prado
Márcio Campos
Mariana Cavalcante (Gira-me)
Mário Canna Pires
Matias Mignon Mickenhagen
Mathias Fingermann
Mila Molina
Otávio Remedio
Paula Cinquetti
Polly Rosa
Ricardo Shiota Yasuda
Rodrigo Sampaio Primo
Ronaldo Toshio
Silvio Tambara
Thiago Benicchio (Apocalipse Motorizado)
Vado Gonçalves (cicloativismo)
Vitor Leal Pinheiro (Quintal)
Willian Cruz (Vá de Bike!)

Próximos:

15-01-2009 – Homenagem à ciclista Márcia Regina de Andrade Prado, com sua família, amigos e participantes da Bicicletada, na Praça do Ciclista, às 18h.
16-01-2009 – Bicicletada da Memória: Márcia Prado – Concentração às 18h e saída às 20h.
30-01-2009 – Bicicletada de Janeiro
27-02-2009 – Bicicletada de Fevereiro – aniversário da Praça do Ciclista

Fotos do ato/luto de hoje na Av. Paulista pela morte de Márcia Regina Prado, uma cicloativista bastante envolvida na bicicletada ( http://www.bicicletada.org) que foi atropelada por um ônibus no final da manhã, pouco antes do meio dia. Seu corpo permaneceu estendido por mais de quatro horas a espera do carro do IML.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os/as ativistas protestaram contra a falta de respeito aos ciclistas na cidade. Eles bloquearam duas pistas na avenida e estão prestando homenagens à ciclista morta.
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7 pensamentos sobre “Morre na Avenida Paulista a Cicloativista Márcia Regina

  1. Triste… Hoje, os motoristas são capazes de ter cautela diante de buracos no asfalto e até mesmo poças d’agua mas, cuidado com pedestres e ciclistas é atitude rara; falta empatia e até mesmo bom senso.

  2. Hoje estaremos reunidos e faremos um singelo ato em homenagem à aqueles que já perderam suas vidas em relação a Guerra Urbana Motorizada!

    Alexandre

    Calango Bikers

  3. Márcia, simplesmente Márcia, eu conheço esta menina há mais de 20anos, estudamos juntos o primeiro e segundo graus sempre querendo ajudar os outros, personalidade marcante e muito inteligente.
    Márcia…. fique em Paz….

  4. Parabéns pelo post, uma verdadeira homenagem…

    cuidado com pedestres e ciclistas é atitude rara; falta empatia e até mesmo bom senso. [2]

  5. No Brasil não existe seriedade e planejamento tudo acontece na marra e se depender da classe política é que a coisa piora só vêem as coisas depois que já passou da hora a grandes cidades precisão de planejamento de corredores de transporte de massa e ciclovias, fato real a mais de dez anos em países desenvolvidos e em desenvolvimento porem aqui é um absurdo.

  6. Pingback: Homenagem à Márcia Prado | Associação Ciclo Urbano

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